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Templosion: como o ritmo das mudanças “implode” o tempo

Por Erica Orange*

A mudança sempre foi uma constante, mas agora ocorre mais rápido do que nunca. Coisas muito grandes estão acontecendo em períodos cada vez menores de tempo, e os impactos desta aceleração serão sentidos em todos os lugares. Tal efeito vem sendo chamado de templosion – termo em inglês que aglutina as palavras “tempo” e “implosão”.

Tempo é algo que todos valorizamos. Por isso, tornou-se nosso maior ativo e nosso maior luxo. É algo que tentamos permanentemente ampliar, manipular, controlar e alavancar. Tempo é a nova moeda. Consequentemente, sua otimização tende a ser a mais importante proposta de valor para qualquer organização no futuro.

O efeito do templosion manifesta-se de inúmeras maneiras. Analistas dizem que a vida média de empresas padrão Fortune 500 agora pode ser de apenas uma ou duas décadas. A duração do mandato dos CEOs também está caindo em vários setores. Para completar, todo mundo está tentando encontrar “hacks” para as coisas. Isto é, maneiras de acelerar processos; soluções que reduzam significativamente o tempo ou o esforço para se atingir um resultado.

 

PERSPICÁCIA x INTELIGÊNCIA

Uma das formas mais básicas pelas quais o templosion está se desenvolvendo é a atualização das habilidades e competências humanas. Afinal, estamos numa era em que a robótica avançada e as inteligências artificiais assumem cada vez mais trabalhos. Consequentemente, pessoas que demonstrem perspicácia (isto é, capacidade de resolver desafios até então inéditos) serão muito mais valorizadas. Muito mais do que aquelas que são inteligentes no sentido clássico – a tal capacidade de aprender e reter conhecimentos.

A “inteligência” tradicional pode ser cada vez mais terceirizada a software, hardware, robôs e sistemas de IA. No entanto, a perspicácia não é tão facilmente obtida a partir de outras fontes. Assim, o pensamento crítico, estratégico e adaptável será mais e mais valorizado.

No passado, o valor de uma profissão residia no acúmulo e na aplicação de anos de estudo e treinamento. Já o futuro recompensará os mais capazes de absorver informações novas, adaptar-se e antever melhor os resultados. Também irá recompensar aqueles que se sentirem confortáveis com a ideia de aprender durante toda a vida. Afinal, o templosion está fazendo com que o conhecimento se torne obsoleto num ritmo crescente. Então é preciso, inclusive, “desaprender” coisas que não são mais úteis. Trata-se de uma habilidade importante, tendo em vista o aumento da expectativa média de vida.

 

TEMPLOSION: CONFORTO NA INCERTEZA

As tecnologias continuarão a se superar num ritmo de tirar o fôlego. Além disso, as descobertas e o desenvolvimento tecnológico vão ultrapassar, de certa forma, nossa compreensão. Estamos voando rapidamente para um “ponto zero”, em que não seremos mais capazes de nos adaptar e responder às mudanças. Mudanças econômicas, geopolíticas, tecnológicas, sociais. Porque elas simplesmente estarão acontecendo muito rapidamente. Numa era de templosion, não temos mais o luxo de aderir a uma visão única do futuro; uma só realidade. Portanto, precisamos nos sentir confortáveis em operar num ambiente de múltiplos futuros e múltiplas realidades.

 

*Erica Orange é vice-presidente executiva e COO na The Future Hunters, uma das mais reconhecidas consultorias em futurismo do mundo.

 

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Ilustração: iStock/wildpixel
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