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Salário: estudo aponta qual o montante ideal para ser feliz

Você acredita que a felicidade de um profissional tem a ver com o valor de seu salário? A questão foi alvo de um estudo de psicólogos norte-americanos divulgado na revista Nature Human Behaviour. A pesquisa, conforme a publicação, chegou a uma dupla conclusão: “sim e não”.

Dados de 1,7 milhão de pessoas fizeram parte da investigação, conduzida pela Gallup World Poll. Inicialmente, os psicólogos descobriram que quanto maior a remuneração, maior o grau de satisfação do profissional com a sua vida. No entanto, a resposta vale só até determinada quantia – e então se inverte. Isso mesmo: depois desse limite, quanto maiores as cifras, menor o grau de felicidade.

Segundo a pesquisa, o decréscimo na satisfação não é percebido nas emoções cotidianas, mas na avaliação geral da própria vida. Isso porque os profissionais extremamente bem pagos começam a se preocupar mais em se comparar aos colegas. E esse tipo de competitividade, como se sabe, atrapalha o bem-estar das pessoas.

 

RELAÇÃO ENTRE SALÁRIO E REGIÃO

Depois da conclusão, os pesquisadores chegaram a uma média salarial ideal para atingir a satisfação máxima com a vida. De acordo com o estudo, a soma gira em torno de 95 mil dólares por ano. Ou seja, o equivalente a mais ou menos R$ 25 mil por mês. Não significa, no entanto, que profissionais que recebem um pouco menos não são felizes. Segundo a pesquisa, algo em torno de 60 a 75 mil dólares anuais já representa uma experiência moderada de felicidade. Nas palavras dos próprios estudiosos, um “bem-estar emocional”.

O resultado principal, no entanto, levou em conta apenas as médias globais de salário. Dependendo da região em que se vive, porém, os valores podem variar drasticamente. Na América Latina, por exemplo, o profissional que ganha 35 mil dólares por ano (ou R$ 9,5 mil mensais) tem um nível intenso de felicidade com a vida. Já nos países mais ricos é preciso ganhar mais para se satisfazer. Citando Austrália e Nova Zelândia, o valor ideal para satisfação máxima é de 125 mil dólares anuais. A soma corresponde a mais de R$ 34 mil por mês. Novamente, a explicação se dá em virtude da comparação – que influencia a autopercepção das pessoas. Conforme o estudo, quanto mais rica a sociedade como um todo, maiores as expectativas de cada indivíduo quanto às próprias finanças.

Por outro lado, uma vez ultrapassado aquele teto, os profissionais “excessivamente” bem remunerados veem sua felicidade diminuir. O fato foi verificado pelo estudo na América Latina e em outras quatro das nove regiões observadas. Por fim, os pesquisadores ressaltam que a remuneração é apenas um dos ingredientes da felicidade. Além disso, destacam que o ser humano está aprendendo cada vez mais sobre os limites do dinheiro.

 

SALÁRIO IDEAL PARA A FELICIDADE EM
CADA REGIÃO PESQUISADA (US$/ANO)

Média global – 95 mil
Europa Ocidental e Escandinávia – 10 mil
Europa Oriental e Bálcãs – 45 mil
Austrália e Nova Zelândia – 125 mil
Sudeste Asiático – 70 mil
Ásia Oriental – 110 mil
América Latina e Caribe – 35 mil
América do Norte – 105 mil
Oriente Médio e Norte da África – 115 mil
África Subsaariana – 40 mil

 

Foto: iStock/spkphotostock
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