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Nanotecnologia: colírio poderá substituir os óculos de grau

Um colírio capaz de dispensar o uso de óculos de grau para curta e longa distância. Essa é a proposta da equipe de oftalmologistas do Centro Médico Shaare Zedek e do Instituto de Nanotecnologia e Materiais Avançados da Universidade Bar-Ilan, em Israel. Com poder para reparar as córneas e melhorar problemas de visão, a substância utiliza nanotecnologia e está em fase experimental.

Testado com dez porcos, o colírio conseguiu mudar até dois graus de miopia e de hipermetropia nos olhos dos suínos. O trabalho foi apresentado em 2017, durante congresso da Sociedade Europeia de Cirurgia Refrativa em Lisboa. A previsão é de que os testes clínicos em humanos sejam iniciados ainda neste ano. A expectativa é que o colírio com nanotecnologia possa diminuir ou até dispensar a necessidade de óculos em muitos casos.

 

COMO FUNCIONA O COLÍRIO BASEADO EM NANOTECNOLOGIA

Líder da equipe de pesquisa, David Smadja explica que o projeto conta com o auxílio de um aplicativo para smartphones. O programa é encarregado do escaneamento dos olhos do paciente, a fim de medir seu grau de refração. Com base nessas informações, um padrão é criado para uma “estampagem a laser” necessária na camada superficial do epitélio da córnea. O procedimento, necessário apenas uma vez, deve ser realizado em hospital. Com duração de alguns milissegundos, ele permite que as nanopartículas “corrijam” aquele padrão óptico, alterando localmente seu índice de refração. Dessa forma, modifica-se a trajetória da luz que passa pela córnea, compensando a deficiência visual do paciente.

A estampagem não está relacionada ao tratamento convencional a laser para correção visual, que remove o tecido da córnea. Trata-se, isto sim, de um pequeno dispositivo a laser que pode se conectar a um smartphone e “carimbar” o padrão óptico no epitélio da córnea. Para tanto, diversos pulsos muito próximos uns dos outros são emitidos de maneira rápida e indolor. Esses minúsculos pontos corneanos permitem, então, que as nanopartículas sintéticas se alojem nos olhos para efetuar a correção desejada. Ainda não se sabe com qual frequência os pacientes precisariam reaplicar o colírio.

 

OUTROS ESTUDOS

O estudo israelense é pioneiro em aplicar partículas nanotecnológicas para corrigir a visão. Apesar do ineditismo, não é a primeira vez que a nanotecnologia é aplicada no ramo da oftalmologia. Outros trabalhos, inclusive no Brasil, já utilizam nanopartículas no lugar de antibióticos para tratar doenças oculares.

Essa área da medicina vem acumulando avanços tecnológicos. No Canadá, a Ocumetics Technology Corporation atua num projeto de olhos biônicos para prevenir catarata e melhorar a acuidade visual. Em Londres, pesquisadores do Instituto de Oftalmologia da UCL criaram formulações de nanopartículas carregadas com a medicação Avastin. Destinada a degenerações maculares causadas pela idade, a iniciativa deixou para trás as aplicações de injeções. Por sua vez, pesquisadores da National Taiwan Ocean University desenvolveram pontos quânticos de carbono com espermidina. Na iniciativa, o composto químico do metabolismo celular é utilizado para tratamento de infecções bacterianas nos olhos.

 

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Foto: iStock/diego_cervo
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