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Medo e ansiedade: o custo da era das muitas oportunidades

Antes da era digital, noticiários e programas de TV costumavam ser a base das conversas em diferentes círculos sociais. Assim, não acompanhar determinada programação significava correr o risco de ficar alheio aos assuntos importantes. Ainda na década de 1970, tal conceito foi batizado por Maxwell McCombs e Donald Shaw como Agenda Setting. Em português, ficou conhecida como Teoria do Agendamento. Outro conceito jornalístico utilizado para explicar o valor-notícia (critérios das escolhas editoriais) é o Gatekeeping. Conforme ambos, a mídia figurava como responsável por definir os assuntos sobre os quais as pessoas deveriam pensar. Mas, com a tecnologia e as facilidades da internet, a comunicação tomou outras proporções. A velocidade dos acontecimentos e a avalanche diária de novas informações viraram combustível para um cenário de angústia social. E, na tentativa de acompanhar tanto imediatismo, instalam-se o medo e a ansiedade por – talvez – ficar por fora de algo.

Para além das notícias de cunho jornalístico, informações e atividades pessoais cotidianas também são publicadas pelos usuários nas redes sociais. Todos esses dados competem pela atenção das pessoas e acabam virando motivos de comparação. Afinal, quem nunca questionou sua vida em relação às dos outros? Nunca analisou se seus conhecidos estão fazendo coisas mais interessantes, se têm mais amigos ou são mais bem-sucedidos? Porém, ao tornar-se rotina, essa situação pode representar um sintoma de Fomo. Trata-se de um acrônimo para Fear of Missing Out – ou “Medo de Perder Oportunidades”.

 

A IMPORTÂNCIA DE DOMINAR O MEDO

Descrita pela primeira vez nos anos 2000, a síndrome Fomo pode causar angústia, mau humor e até depressão. Ou seja, a aflição por não acompanhar tudo que acontece na internet e no mundo pode minar sua felicidade. E também a sua saúde. Por isso, saber lidar com o que não se é ou não se tem é crucial para prevenir sérios problemas. Atualmente, a principal fonte de Fomo são as mídias sociais, que permitem acompanhar a vida das pessoas em tempo real. Enquanto você está tranquilo em casa, vê fotos e vídeos de um amigo curtindo um show ou uma viagem incrível. Mesmo que ficar em casa tenha sido sua escolha, perceber as oportunidades dos outros induz ao medo de ter tomado a decisão errada. O tal “medo de perder oportunidades” – ou Fomo, na sigla em inglês.

Pense: você costuma se perguntar o que deveria estar fazendo e o que os outros sabem que você não está? Preocupa-se constantemente com o fato de ser importante e admirado pelos outros? Essas questões frequentemente provocam inquietação, medo e ansiedade repentina, que são os principais sintomas do Fomo. Contudo, é importante entender que a síndrome não surge do desejo de ter feito a escolha específica da outra pessoa. Mas, sim, perceber que os outros tomaram decisões diferentes das suas. Você lembra que há oportunidades infinitas a sua frente – e que optar por um caminho implica abdicar de vários outros.

 

LIVRANDO-SE DO FOMO

Apesar de causar medo e ansiedade, o Fomo também pode ter sua parcela de contribuição na vida. Ao perceber os sintomas, questione se a opção que você fez representa o que realmente gostaria de estar fazendo. Aproveite o momento como uma chance de reafirmar suas decisões. Se sim, isso bastará para afastar as angústias. Se não, antes de eliminá-la, analise se o seu sentimento não representa uma vontade real de mudança. Afinal, também pode existir uma boa razão para que você se sinta inseguro ou com medo. Assim, o Fomo pode ser uma manifestação de decepção por não ter coragem de fazer algo diferente. Nesse caso, o Fomo pode ser uma indicação de que você está pronto para uma nova fase da vida. Outra questão importante é reconhecer que o que faz outra pessoa feliz não terá, necessariamente, o mesmo efeito em você.

Por fim e igualmente importante, lembre-se de que nem sempre o que se vê é uma representação precisa da realidade. As imagens compartilhadas nas redes sociais são apenas recortes da realidade preparados para a publicação online. Muito semelhante ao que ocorria no tempo em que eram apenas os jornalistas que sugeriam o conteúdo a ser discutido. Afinal, era preciso selecionar o que dizer de acordo com o tempo ou o espaço disponível na programação. A partir daí também é possível tirar proveito. Utilize os conceitos do Agenda Setting e do Gatekeeping para criar seus próprios filtros. Use a tecnologia com sabedoria e não deixe que suas redes sociais lhe causem medo e ansiedade. Diminua seu tempo online ou simplesmente experimente um período “off”.

 

FOMO x JOMO

O imediatismo que sustenta o Fomo pode fazer com que você queira participar de tudo. Contudo, a vontade extrema de fazer as coisas pode levá-lo a não dar a devida atenção às coisas. Então, que tal investir e demonstrar mais paciência? Em oposição ao Fomo, já se fala no Jomo (Joy of Missing Out) – alegria ou prazer de renunciar a oportunidades. Tal conceito incentiva o controle daquilo que é importante em cada momento. Ou seja, você sabe que existe uma infinidade de oportunidades e, mesmo assim, é extremamente feliz no que está fazendo. Jomo refere-se a viver consciente de que há muitas coisas das quais não se está participando. E não ver problema nisso, pois sua prioridade é outra.

 

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Foto: iStock/BrianAJackson
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