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Existe um lado ruim em ser alguém muito inteligente

Muito valorizado em períodos anteriores, o quociente de inteligência (QI) vem perdendo espaço para o quociente emocional (QE). E apesar da ideia de que ser muito inteligente é sinônimo de sucesso, nem sempre isso acontece na prática. Na verdade, ter um QI muito alto pode implicar certa fragilidade. Afinal, junto das mentes mais brilhantes, comumente é possível observar características como angústias existenciais, frustrações e solidão. Sendo assim, talvez a busca pela genialidade possa ter suas desvantagens.

Utilizado para medir habilidades cognitivas, o teste de QI ganhou popularidade a partir da Primeira Guerra Mundial. Na época, ele demonstrou eficiência nos centros de recrutamento de voluntários. No entanto, muitas empresas estão atualmente mudando sua maneira de buscar candidatos e avaliar currículos. Ainda em 1926, o psicólogo Lewis Terman realizou um experimento com um grupo de 1,5 mil crianças superdotadas. Todas tinham QI superior a 140. Ao longo da vida, elas foram acompanhadas e analisadas em relação à saúde, realizações acadêmicas e relações sociais. Inclusive foram orientadas na escolha de cursos e profissões. Contudo, apesar do incentivo da pesquisa de Terman, nem todas as crianças superdotadas obtiveram sucesso na vida.

Também chamadas de “outliers” ou foras de série, muitas delas passaram a viver como pessoas comuns. Tanto que as estatísticas do grupo em relação ao número de divórcio, alcoolismo e suicídio, por exemplo, eram praticamente as mesmas da população em geral. Ou seja, a associação entre inteligência e sucesso funciona apenas até determinado ponto. De outro modo, não quer dizer que qualquer pessoa inteligente seja, necessariamente, um gênio solitário e infeliz. Acontece que ter consciência de seus próprios talentos intelectuais pode, muitas vezes, se tornar uma carga bastante pesada.

 

SER INTELIGENTE PODE SER UM FARDO

Conforme o pesquisador Keith Stanovich, da Universidade de Toronto, pessoas inteligentes têm menos capacidade de enxergar seus próprios defeitos. E quanto maior a inteligência, maior é a cobrança (interna e externa) sobre ela. Em função dessas grandes expectativas, muitas mentes brilhantes enfrentam medo de assumir riscos, justamente por receio de falhar.  Ao mesmo tempo, por ciúmes ou suposição, acabam tendo negligenciado qualquer tipo de ajuda. Afinal, por que uma pessoa inteligente precisaria de auxílio em algo? Por outro lado, Stanovich destaca que maior inteligência não está atrelada à tomada de decisões mais sábias. Prova disso é o perfil de pessoas que compartilham informações falsas na internet. Em geral são aquelas com inteligência e educação acima da média. Nesse caso, quais as vantagens de ser inteligente?

Para além do QI, é possível desenvolver outras habilidades intelectuais. Segundo Igor Grossmann, da Universidade de Waterloo, no Canadá, o importante é investir na sabedoria.  Esta, sim, é capaz de agregar satisfação com a vida, qualidade de relacionamentos, menos ansiedade e preocupação. Felizmente, Grossmann ressalta que a sabedoria pode ser adquirida com treino. Já o maior desafio para pessoas inteligentes, segundo ele, pode ser admitir seus próprios defeitos.

 

Ilustração: iStock/bowie15
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