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Jeff Burton: 7 perguntas para o cofundador da Electronic Arts

Jeff Burton, cofundador da Electronic ArtsEle viveu o “Big Bang” do que é atualmente a gigantesca indústria de videogames mundial. Trabalhou na Atari, foi cofundador da Electronic Arts e, após sete anos, abriu mão da empresa para dedicar-se à família. Agora, com os filhos já crescidos, empresta sua vasta expertise a jovens empreendedores que também querem fazer a diferença. Envolver-se com startups, aliás, é exatamente o que hoje faz de Jeff Burton um homem realizado. “A maior satisfação da minha vida tem sido retribuir”, afirma o consultor nesta entrevista ao portal IT Management. Para ele, a educação é o caminho mais promissor para o futuro, e vivemos agora o melhor momento para empreender. Confira!

 

Você trabalhou em empresas lendárias, como Atari e Electronic Arts (EA). Conte-nos sobre essas experiências – o que aprendeu e qual a sensação de fazer parte da história dos videogames?

Primeiramente, foi um privilégio incrível e inimaginável fazer parte da emergente indústria de videogames. Tive dificuldade para entender que aquilo se tornaria algo tão grande quanto se tornou. Mas percebi que a Atari havia se tornado uma empresa muito “nova-iorquina” para o sistema ético do Vale do Silício. Isso devido ao domínio e à gestão vindos de Nova Iorque e da Warner Communications. Ela havia perdido as raízes cultivadas por Nolan Bushnell. Passou a uma cultura nova-iorquina impiedosa, sem compartilhamento, colaboração ou confiança. Uma excomungada em relação àquilo que estava emergindo no Vale do Silício na época. Eu acredito que isso tenha levado à sua queda.

A Electronic Arts, por outro lado, foi o epítome da ética do Vale do Silício e da Universidade de Stanford. Embora tenha experimentado seus próprios problemas, sempre foi (e ainda é) um modelo do que o Vale do Silício representa. Ética, valores elevados, integridade, colaboração, compartilhamento, otimismo – todos os traços que nós, como fundadores, buscamos plantar. Sinto-me extremamente feliz por ter sido parte disso. Sempre me toca a gratidão expressada por pessoas de todo o mundo por termos criado a Electronic Arts. Foi o presente de uma vida.

 

Você conta que o objetivo original da Electronic Arts era combinar educação e entretenimento. Pode nos falar um pouco dessa visão e dos esforços em tal direção?

Nós entendemos desde o princípio que os computadores permitiam unir a diversão dos jogos a um poderoso aprendizado educacional. O que não percebemos é o quão difícil seria penetrar o calcificado sistema educacional norte-americano. O legado da educação revelou-se, naquele momento, impenetrável para uma organização que visava a lucros. Mas, olhando para trás, esse foi o único objetivo definido que não conseguimos atingir. Simplesmente não conseguimos penetrar os sistemas educacionais com o aprendizado gameficado, independentemente do quão fácil ou lógico isso fosse. Somente agora há algumas pessoas começando a avançar nesse reino – mas a Electronic Arts ainda não.

 

Você foi cofundador da Electronic Arts e trabalho lá por sete anos. Por que resolveu sair?

Eu viajava 50% do tempo, tendo em casa duas crianças com menos de quatro anos. Queria impactar positivamente suas vidas, então senti a necessidade de passar todo meu tempo com elas. Tive a oportunidade de fazer isso e não a deixei passar.

 

Jeff Burton, ex-integrante da Electronic ArtsVocê tem se envolvido com diversas startups. Como tem sido esse trabalho?

A maior satisfação da minha vida tem sido retribuir. Isto é, ajudar jovens empresas e pessoas a buscarem seus sonhos como tive a sorte de poder fazer por mim. É isso que me anima a encarar cada novo dia. Meus filhos estão crescidos e bem-sucedidos por conta própria. Moro sozinho, mas me realizo ajudando esses jovens a seguirem suas paixões e criarem empresas capazes de mudar o mundo.

 

Que áreas têm mais lhe chamado à atenção? Quais considera particularmente promissoras?

Na minha idade, entendo que a educação seja a coisa mais promissora para o futuro da humanidade. Assim, o que quer que promova ou estimule a eficácia da educação no mundo é o que considero mais importante. Realidade Virtual, Realidade Aumentada e Inteligência Artificial parecem áreas promissoras a fim de torná-la uma experiência “real” para a humanidade. Eu também vejo o Blockchain como um salvador em potencial para o mundo.

 

Por falar em Blockchain, você acredita que as criptomoedas irão efetivamente mudar o mundo? Caso considere que sim, o quão rápido espera que essas mudanças ocorram?

Inevitável: sim. Capaz de mudar o mundo: sim. Velocidade dos impactos: intedeterminada.

 

Você diz que vivemos hoje o melhor momento para se começar um negócio. Por quê?

É simples. Há mais de cinco bilhões de pessoas no mundo com acesso a smartphones. Esse é um mercado incrivelmente grande – que já está pronto e aguardando. Explore a oportunidade agora! É o melhor momento que já presenciei para ganhar um pequeno percentual de mercado e ser absurdamente bem-sucedido como resultado. É uma enorme oportunidade.

 

Fotos: Jeff Burton/Divulgação
Categorias Ping-Pong