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Bibop Gresta: um papo com o chairman da Hyperloop TT

Chairman da Hyperloop Transportation Technologies (Hyperloop TT), Bibop Gresta tem uma trajetória peculiar. Apaixonado por música e programação desde cedo, o italiano de 46 anos já foi produtor, apresentador e roteirista de TV. Notabilizou-se principalmente pelo trabalho na MTV Itália e chegou a atuar em alguns filmes no país. Em 1999, fez fortuna ao vender sua empresa de produção e distribuição de conteúdo para a Telecom Itália. Trabalhou ainda com diversas startups e iniciativas ligadas a novas mídias, mudando-se para os EUA em 2013. No final de 2014, ajudou a fundar a Hyperloop TT, sendo desde então um dos grandes divulgadores do disruptivo modal. A seguir, confira a entrevista exclusiva de Bibop Gresta ao portal IT Management:

 

Antes da Hyperloop TT, você trabalhou na MTV Itália. Conte-nos um pouco de sua trajetória.

Correto. Fiz parte do time que levou a MTV para a Itália. Durante um tempo, fui produtor, roteirista e apresentador na rede. Posteriormente, fundei a Bibop S.p.A, uma empresa de produção e distribuição de conteúdo. Em 1999, vendi 40% da companhia para a Telecom Italia por 11 bilhões de liras. Em 2004, cofundei a Digital Magics, uma incubadora que já ajudou a criar mais de setenta startups e segue forte. Em 2014, juntei-me à Hyperloop Trasportation Technologies como cofundador e chairman.

 

Fale-nos sobre o conceito do Hyperloop.

O Hyperloop é a próxima geração das viagens em alta velocidade. Nós usamos levitação magnética passiva para mover cápsulas com 30 a 40 pessoas num tubo de baixa pressão. A velocidade supera 1200 km/h. O sistema é alimentado por energia alternativa – e é tão eficiente que pode até devolver energia à rede. Estimamos que o projeto passe a ser lucrativo dentro de 8 a 12 anos após o início das operações.

 

E quanto à segurança do Hyperloop em relação a outros modais?

O Hyperloop é, de modo geral, mais seguro do que outros meios de transporte. Ele tem dez vezes menos possibilidades de falha do que aviões. E, por deslizar num tubo, não há risco de as cápsulas atingirem alguma coisa ou descarrilarem, como trens.

 

Você pode comentar sobre o desenvolvimento de novos materiais, especialmente o Vibranium?

Ao longo do desenvolvimento do nosso sistema nos últimos anos, acabamos criando uma série de novas tecnologias. Uma delas é o Vibranium, um material inteligente que estamos usando para construir as cápsulas do Hyperloop. Trata-se de um material composto de duas camadas, com sensores integrados para fornecer informações críticas sobre a estrutura. Estamos falando de dados relacionados a temperatura e integridade, por exemplo. O Vibranium é ainda mais forte do que o aço, porém mais leve que o alumínio.

 

Que tipos de problema vocês pretendem resolver com o Hyperloop?

O transporte ainda é, em grande parte, uma experiência desagradável. Nossas rodovias vivem congestionadas, voar é desconfortável… Viajar deveria ser conveniente e prazeroso – e essas são algumas coisas que estamos resolvendo com o Hyperloop. Além, é claro, de viajar em alta velocidade.

 

Hyperloop TT

 

E quais os maiores desafios enfrentados no desenvolvimento dessa tecnologia?

A tecnologia em si já está resolvida, e nós estamos construindo. Os maiores obstáculos que permanecem giram em torno de estruturas regulatórias. Isso é algo em que estamos trabalhando muito proximamente com diversos governos ao redor do mundo.

 

Vocês se estabeleceram recentemente também no Brasil. Como foi a escolha pelo país?

O Brasil possui recursos fantásticos e está abraçando a inovação tecnológica. Trata-se de um lugar ideal para trabalharmos na próxima geração de soluções logísticas para nossas operações em todo o mundo.

 

Algo que chama a atenção é que o Hyperloop parece uma realidade já próxima. Em que estágio se encontra atualmente o projeto e qual o seu cronograma de execução?

Ainda neste ano veremos o primeiro sistema Hyperloop em escala real iniciar operações. Será em Toulouse/França, na nossa planta de Pesquisa & Desenvolvimento. Já assinamos também o os primeiros acordos comerciais em Abu Dhabi, Ucrânia e, mais recentemente, China. Até 2020 esperamos ter a primeira fase da linha de Abu Dhabi pronta para uso de passageiros. Nossos objetivos de longo prazo incluem estabelecer o Hyperloop como o novo padrão mundial para transporte regional no século XXI.

 

Na sua opinião, qual o futuro do transporte e da mobilidade de modo geral?

O futuro do transporte gira em torno de um conceito que chamamos “The Naked Passenger”. Sair sem carteira, dinheiro ou identificação e, usando apenas biometria (impressões digitais, reconhecimento de íris, etc.), ir a qualquer lugar. De maneira aprazível e quando você bem entender.

 

Por fim, como vocês imaginam o Hyperloop daqui uma década?

Em dez anos, veremos uma infinidade de sistemas Hyperloop prontos ou próximos da conclusão em todo o mundo. Esses sistemas conectarão centros urbanos para que as pessoas possam viajar longas distâncias em minutos em vez de horas.

 

Cápsula do Hyperloop TT

 

Fotos: Hyperloop TT/Divulgação
Categorias Ping-Pong