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MIT testa gadget que controla sonhos e melhora criatividade

Para quem viu A Origem, com Leonardo DiCaprio, esta invenção pode parecer algo familiar. Porém, em vez de roubar segredos do inconsciente ao invadir os sonhos, o gadget se propõe a estimular a criatividade. Batizado de Dormio, ele está sendo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). A ideia é interagir com um determinado estágio do sono para impedir que os sonhos caiam no esquecimento.

Conforme o idealizador do projeto, Adam Horowitz, enquanto dorme, o ser humano é apenas espectador das criações de sua mente. No entanto, a partir do Dormio, poderá ser possível assumir o controle dos sonhos e obter informações valiosas ao cotidiano. A inspiração veio de estratégias como as de Thomas Edison, Nikolas Tesla e Salvador Dalí. Segundo historiadores, eles tiravam vários cochilos ao longo do dia segurando algo nas mãos. Chave, colher e até esferas de aço. Dessa forma, tão logo caíssem em sono profundo, eram despertados pelo barulho do objeto chegando ao chão. E, a partir deste estado intermediário entre o sono e a vigília, conquistavam novas ideias em seus processos criativos.

 

DORMIO E O ESTÍMULO À CRIATIVIDADE NOS SONHOS

Gadget do MIT assemelha-se a uma luvaSeguindo a técnica de Edison, Tesla e Dalí, o Dormio utiliza sensores nas mãos da pessoa que pretende dormir. Assim, o sistema consegue medir o relaxamento da musculatura e identificar alterações em batimentos cardíacos e condutividade elétrica da pele. A ideia é determinar o momento exato da passagem entre a fase 1 para a fase 2 do sono. Esse momento é conhecido como estágio das alucinações hipnagógicas.

A partir daí, entra em cena o robô Jibo. A Inteligência Artificial do Dormio emite sons em volume suficiente para evitar que o ciclo do sono continue evoluindo. No entanto, a pessoa não é despertada por completo. Neste momento, o robô dá início a uma conversa e pergunta sobre o que a pessoa está pensando. Todas as respostas são gravadas e, assim, evita-se o esquecimento dos sonhos. Terminada a conversa, o Dormio permite retornar ao ciclo do sono, até que o estágio hipnagógico seja novamente detectado.

Em estágio inicial de desenvolvimento, o gadget foi testado em apenas seis voluntários, mas já apresentou resultados muito promissores. Além de impedir que os participantes entrassem em sono profundo, o sistema conseguiu inserir assuntos em seus sonhos. No experimento, Jibo falou palavras simples, como garfo e coelho, que acabaram integradas ao contexto dos sonhos dos voluntários.

Para tentar mensurar os efeitos do sistema na criatividade, os pesquisadores fizeram testes alternativos. Tanto antes quanto depois de usar o Dormio, os voluntários foram estimulados a pensar sobre usos incomuns para as palavras garfo e coelho. Dos seis voluntários, cinco obtiveram notas mais altas após o sonho. Desses, quatro relataram que ideias geradas durante o estágio hipnagógico ajudaram na criatividade.

 

APLICAÇÕES E MELHORIAS

Luva desenvolvida no MITSegundo Horowitz, com o Dormio será possível aprender algo sobre si mesmo, explorar a mente e controlar os sonhos. Ou até mesmo usar a cabeça como uma espécie de gerador de realidade virtual. No entanto é preciso ponderar o impacto causado pelo sistema à saúde das pessoas. Até onde a interrupção no ciclo do sono pode prejudicar a qualidade do descanso? Por isso, Horowitz recomenda evitar o uso do Dormio no período da noite. O ideal, segundo o idealizador do experimento, é aproveitar os cochilos do dia ou o despertar pela manhã.

A ideia de aumentar a criatividade a partir do controle dos sonhos é sem dúvida muito atraente. No entanto, trata-se de um campo de pesquisa que exige muitos outros testes. Assim, Horowitz e seus colegas estão trabalhando na segunda geração do Dormio – que promete ser menos intrusiva.

 

Fotos: MIT/Divulgação
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