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Por que dispositivos eletrônicos viciam (e como lidar com isso)

Por Richard Watson*

Você já parou para pensar em por que seu smartphone é tão viciante? Bem, ele faz com que seu organismo libere dopamina, o “hormônio do prazer”. A questão é que esses dispositivos são intencionalmente projetados para que não possamos deixá-los sozinhos. Mas ainda piores são os aplicativos ali instalados – Instagram, Fitbit, Netflix e tantos outros. Você se lembra do tempo em que assistia a um programa de TV, curtia aquele momento, e fim de papo?! Agora você olha La Casa de Papel e, quando acaba, o próximo episódio começa instantaneamente.

A tecnologia é projetada de forma que fique mais difícil parar do que seguir em frente. Além disso, os usuários têm pouca ou nenhuma consciência do que está acontecendo. O objetivo é desenvolver produtos capazes de criar hábitos, utilizando-se de pequenos picos emocionais. Esses picos provêm da reprodução imediata de outro episódio ou do acúmulo de tantos seguidores, curtidas ou sinais de aprovação quanto possível.

 

VÍCIOS PROGRAMADOS

Mas o que está na raiz de tudo isso? A resposta está nas necessidades básicas humanas de conexão, aprovação e afirmação. Entretanto, será ético que terceiros – desconhecidos – planejem nossas atitudes e comportamentos? Nos primeiros tempos da internet, havia informação e, em alguma medida, entendimento. Mas agora é apenas o imperativo comercial de forçar e capturar a atenção das massas.

O Facebook, por exemplo, é particularmente culpado desses crimes de atenção. Seu modelo de negócio explora nossos impulsos inconscientes para obter atenção forçada – que é então repassada a anunciantes por dinheiro. Isso parece ético? Se você basicamente controla a psicologia de um oitavo do planeta, essa prática pode ser considerada responsável?

Em Las Vegas, máquinas de apostas são projetadas para garantir que as pessoas gastem o maior tempo possível nesses dispositivos. É o que chamam de “time on device”. Tudo na forma como essas máquinas operam é deliberado – até o ângulo da luz emitida pela tela. Os apostadores podem até pedir comida e bebida nessa mesma tela, sem nem ao menos se levantarem dos confortáveis assentos.

 

COMO VENCER A DEPENDÊNCIA DOS DISPOSITIVOS

Será que o futuro nos reserva um mundo em que nunca saímos de casa, cronicamente viciados nas telas dos dispositivos? A tecnologia digital projetada por uma pequena fatia da sociedade pode estar reduzindo nossa capacidade de fazer escolhas livres. Ela chega ao cúmulo de nos afastar fisicamente daquelas pessoas de cujo amor e aprovação tanto necessitamos! Então é hora de desligar.

Dizem que o caminho para vencer um vício é encontrar uma atividade que o substitua. Talvez seja exatamente disso que nós precisemos atualmente: boas atividades alternativas – ou um objetivo que nos consuma integralmente.

 

*Richard Watson é autor, filósofo, futurista e fundador do site de tendências What’s Next.

 

Ilustração: iStock/Bplanet
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