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Resiliência mental: liberte-se da culpa pelas metas não atingidas

Por Leo Babauta*

Acontece com todo mundo: não conseguimos resolver o que queríamos e, consequentemente, nos sentimos estressados ou culpados por isso. Então é preciso aprender a deixar para lá – afinal, esses sentimentos não vão ajudar em nada. E, com um pouquinho de treino mental, é possível construir uma “casca” de resiliência. E isso sim vai ajudar de maneiras incríveis. Tente se lembrar se você já fez uma das seguintes coisas:

  • Decidiu que iria adotar algum hábito (exercitar-se, alimentar-se melhor, meditar, escrever) e depois não realizou isso conforme planejado. Então se sentiu culpado, desapontado consigo mesmo ou simplesmente estressado.
  • Organizou uma lista com seus afazeres, mas no fim viu que não cumpriu a maioria desses objetivos. Novamente, mais estresse.
  • Planejou-se para trabalhar num projeto ou escrever alguma coisa… e então procrastinou. Mais uma vez, vieram os sentimentos de culpa, decepção ou estresse.
  • Criou esperanças de mudar seus padrões alimentares, a forma como fala com os outros ou suas práticas de meditação. E aí tudo deu errado e você se sentiu tremendamente desapontado.

Há milhares de variações possíveis para os tópicos acima, mas a essência é que as coisas não saíram como planejado… E isso se transformou em decepção, culpa, estresse. Bem, esta é a questão: não há nada de errado em não atingir as próprias expectativas. As expectativas são o verdadeiro problema. E, claro, o estresse decorrente de não as alcançar.

Em todos os exemplos acima, temos esse ideal de como as coisas deveriam ser, sobre como gostaríamos de ser. Não há nada errado nisso (é um comportamento normalíssimo), mas vira um problema quando nos apegamos excessivamente a essas expectativas. Isso traz dificuldades: nos sentimos desapontados, ansiosos, furiosos ou ressentidos com nós mesmos. Sentimo-nos, em última instância, infelizes.

 

IDENTIFICANDO O VERDADEIRO PROBLEMA

Esse processo de criar expectativas e não as atingir (e então ficar menos feliz) acontece repetidamente ao longo do dia. Estamos fazendo isso constantemente com nós mesmos. E isso leva ao estresse, à infelicidade, à sensação de sobrecarga. Faz com que nos sintamos incapazes de mudar. Gera uma queda de confiança em nós mesmos. E este é o verdadeiro dano. É algo que atinge tudo que queremos fazer, tornando cada vez mais provável que desistamos, porque perdemos autoconfiança. Este é o grande e verdadeiro problema.

A solução, portanto, é não se agarrar tanto aos ideais criados nas profundezas da sua mente. Conscientizar-se dessas expectativas – das que tem de si mesmo, mas também daquelas que tem dos outros – sem se apegar tanto. Jogá-las fora, se possível, e ver o que acontece. E gostar do que realmente acontece. Gostar de si mesmo do jeito que é – não do jeito que gostaria de ser. Claro, esforce-se para fazer o bem, por amor a si mesmo e aos outros… Mas, quando não atingir tais expectativas, jogue-as fora e ame quem você é, o que realmente fez. Aprenda a gostar da realidade.

 

UMA RECEITA CONTRA A CULPA

Aqui vai uma breve prescrição, caso você queira uma:

1. Estabeleça o objetivo de amar a si mesmo. Busque isso por meio de coisas como exercitar-se, comer melhor, meditar, ser legal com os outros, cumprir um propósito. Defina esse objetivo com base no amor próprio – e então faça o melhor que puder.

2. O que quer que você faça, perceba suas expectativas e descarte-as. Goste do que você realmente faz; aproveite o momento e a si mesmo, independentemente de qualquer coisa. Deixe de lado a culpa inútil, o estresse e a crítica exagerada sobre si mesmo.

3. Veja o que impediu que você alcançasse seu objetivo. Faça uma mudança deliberada no seu ambiente, de modo que aquilo não lhe impeça novamente. Defina outra meta, com base no amor-próprio, mas não se apegue demasiadamente a ela. Repita a operação, indefinidamente.

Ao deixar de lado essas expectativas, podemos nos livrar das nossas dificuldades e realmente ficar em paz. Realmente experimentar contentamento. Realmente amar a nós mesmos. E isso conduz à felicidade com o mundo e com nós mesmos – uma sensação incrível de plenitude.

 

*Leo Babauta é autor de “The Power of Less” (sem edição no Brasil) e editor do blog Zen Habits.

 

Foto: iStock/Good_Studio
Categorias Opinion