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Curativo que pulsa pode tratar sequelas de ataque cardíaco

Diferentemente da pele e de alguns órgãos como o fígado, por exemplo, o coração tem capacidade muito limitada de regeneração. Por essa razão, pessoas que sofrem um ataque cardíaco costumam desenvolver um quadro de insuficiência cardíaca permanente. Tudo porque o coração depende de um fornecimento contínuo de oxigênio proveniente das artérias coronárias. Se elas entopem e o abastecimento cessa, as células musculares começam a morrer em questão de minutos. Por consequência, são substituídas por camadas espessas de tecido cicatrizado rígido e resistente. Ou seja, em função do ataque cardíaco, essas partes do coração simplesmente deixam de funcionar.

Atualmente, o transplante é a única opção para resolver a insuficiência cardíaca. Além disso, o baixo número de doadores é mais uma barreira para o tratamento. Contudo, dentro de alguns anos a medicina regenerativa poderá apresentar alternativa. Pesquisadores da Universidade de Cambridge estão trabalhando no desenvolvimento de curativos para o coração. Preparados em laboratório, eles poderão “remendar” o órgão e auxiliar na atividade de pulsação.

 

RECUPERAÇÃO APÓS ATAQUE CARDÍACO

Os curativos desenvolvidos pela equipe da Universidade de Cambridge são retalhos minúsculos de músculo cardíaco. Cridos em pequenas placas em laboratório, eles têm menos de 2,5 centímetros quadrados de área e meio centímetro de espessura. Cultivados ao longo de um mês, eles são feitos a partir de amostras de células do sangue. Estas são reprogramadas para cumprir a função de um determinado tipo de célula-tronco. Neste caso, são transformadas em células do músculo cardíaco, dos vasos sanguíneos e do epicárdio. Em seguida, os aglomerados de células são organizados e alinhados numa estrutura semelhante ao tecido cardíaco humano. Assim, essa combinação de células que se comunica entre si é capaz de pulsar e se contrair de forma natural.

O desafio, no entanto, é saber se o curativo e o coração do paciente terão pulsação sincronizada. A expectativa é de que os sinais elétricos que passam como uma onda através do músculo cardíaco façam este pareamento. Em breve, a equipe deve testar seus curativos em camundongos e, em seguida, em porcos. Já as primeiras experiências com seres humanos estão previstas para ocorrer dentro de cinco anos.

 

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Ilustração: iStock/Dr_Microbe
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