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Assertividade: o que é e como conquistá-la no trabalho

Já faz algum tempo que assertividade é uma das palavras da moda no mundo dos negócios. Trata-se, inegavelmente, de um atributo importante e muito poderoso no trabalho, assim como na vida pessoal. No entanto, talvez por conta de sua sonoridade, é muito comum que esse termo acabe sendo usado indevidamente.

Assertividade, com “ss”, nada tem a ver com o nível de “acertos” (com “c”) de alguém. A palavra, na verdade, refere-se à qualidade de quem se comunica de forma clara, objetiva e segura.

Uma pessoa assertiva é aquela que possui e promove a autoconfiança e a autoestima. É alguém que sabe como ser afirmativo em suas colocações. No entanto, nem sempre é fácil agir assim e falar abertamente na hora de solucionar conflitos. Especialmente no ambiente de trabalho.

Na contramão da assertividade, muita gente se sente desvalorizada, excluída, frustrada. Principalmente quem é introvertido, tem pouca autoconfiança ou pensa que não é adequado dizer o que pensa. Tanto que, muitas vezes, acaba interpretando assertividade como agressividade. Conforme o professor de comportamento organizacional da Brandeis International Business School, Andy Molinsky, superar o medo e agir assertivamente pode ser difícil. Mas ele garante que não se trata de algo impossível – para quem quer que seja.

 

O MÉTODO DE ASSERTIVIDADE DE ANDY MOLINSKY

Em sua coluna no Inc., Molinsky destaca que assertividade é essencial para a comunicação efetiva e a construção de relacionamento. No entanto, aprender a ser assertivo exige esforço e iniciativa. Molinsky considera fundamental encontrar uma fonte de motivação. Talvez a assertividade seja algo essencial para despertar o líder que um dia você deseja se tornar. Então, a dica é tratar a assertividade como uma habilidade passível de prática. Sempre lembrando que a construção da habilidade demanda tempo e confiança. Não basta apenas decidir ser mais assertivo e pronto.

O autor recomenda traçar metas específicas e realizáveis, além de acompanhar seu progresso para planejar melhorias. Por exemplo, praticar a assertividade uma vez por dia (ou por semana) é um começo. O professor defende a importância de que cada um encontre seu próprio caminho. Conforme ele, um estilo assertivo moderado tende a ser mais efetivo do que um estilo demasiado ou nada assertivo.

 

PRATICANDO A ASSERTIVIDADE

Num artigo publicado no site da Harvard Business Review, Molinsky enfatiza a fórmula que aprendeu com o livro People Skills, de Robert Bolton. Embora focada em casos da vida cotidiana, Molnisky desenvolveu sua própria versão, com três dicas para a vida profissional.

1. Comece com uma declaração curta, simples e objetiva sobre o comportamento da outra pessoa. 

O que você gostaria que mudasse nesta relação? Exemplo: “Quando você me interrompe durante as reuniões”. Ou ainda: “Quando você leva o crédito sozinho pelo trabalho que fizemos de forma colaborativa”. Seu objetivo aqui é obter a atenção da outra pessoa e, ao fazê-la, minimizar sua reação de defesa. A declaração deve ser curta e direta, imparcial e sem demonstração de emoção. Dessa forma, será mais fácil que a outra pessoa entenda a mensagem sem discordar nem se distanciar imediatamente.

2. Descreva o efeito negativo que tal comportamento gera em você.

Este é o momento de explicar por que o comportamento da pessoa está lhe causando problema. Por exemplo: se a conversa iniciar com “Quando você me interrompe durante as reuniões”, pode ser complementada por “Não tenho a chance de expressar minha opinião”. Ou, no caso de: “Quando você leva o crédito sozinho pelo trabalho que fizemos de forma colaborativa”, adicione “eu não tenho a chance de destacar meu papel e contribuição”. O objetivo aqui é construir uma lógica de causa e efeito, vinculando uma declaração objetiva ao impacto que o comportamento teve em você.

3. Finalize declarando seus sentimentos.

Você deve indicar que determinado comportamento do outro não só impactou negativamente suas ações, mas também prejudicou seus sentimentos. Você pode usar, por exemplo, um “eu me sinto marginalizado” ou “eu me sinto subestimado”. Mesmo que o outro possa se sentir surpreendido e até mesmo desconfortável, é difícil contestar os sentimentos de uma pessoa. Acrescentar este elemento torna a mensagem muito mais poderosa. Juntando tudo, você terá algo como “Quando você me interrompe continuamente durante as reuniões, não tenho a chance de expressar minha opinião e me sinto marginalizado”.

Se você dispuser dos recursos emocionais necessários ao momento, ser assertivo pode trazer bons resultados. Também é possível se preparar para uma conversa futura. Principalmente se você não tiver praticado o bastante ou houver expectativa de reação defensiva. Mesmo usando a técnica, ser assertivo não é fácil, pois muitas vezes o interlocutor reage de forma negativa. Por isso, é importante manter a calma e a confiança diante de qualquer resposta.

Molinsky recomenda ter argumentos suficientes para embasar a primeira parte da conversa, quando se descreve o comportamento negativo da pessoa. Demonstrar a existência de um padrão de comportamento ao longo do tempo também pode ser útil caso haja contestação dos fatos.

O professor enfatiza que não existe uma fórmula única que funcione para todos. Assim, é possível adequar a técnica ao seu estilo para que a conversa seja realmente autêntica. A outra pessoa pode responder de forma positiva imediatamente. Pode responder de forma positiva e produtiva, mas com um atraso significativo. Ou ainda não mudar nada. Mas, para você, aumentar a coragem para expressar suas frustrações, em primeiro lugar, pode ser uma vitória significativa.

 

Ilustração: iStock/JJPan
Categorias Business Upgrade