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Útero artificial poderá salvar vidas de bebês prematuros

Num futuro talvez nem tão distante, uma tecnologia já empregada para salvar cordeiros nascidos prematuramente poderá ser aplicada em maternidades para salvar a vida de bebês humanos que nascem com apenas seis ou sete meses de vida.  Com ares de ficção científica, a experiência liderada por Emily Partridge, do Hospital Pediátrico da Filadélfia, nos EUA, divulgou resultados animadores no periódico científico Nature Communications. No interior de um saco plástico transparente, com a aparência de uma embalagem zip-lock, um cordeirinho nascido prematuro termina sua gestação com sucesso fora do corpo da mãe – e ganha uma segunda chance para desenvolver cérebro, coração e pulmões no ritmo correto. O “saco”, na verdade um útero artificial, é preenchido por uma versão sintética do líquido amniótico de um útero real, sendo constantemente filtrado.

Além de isolar o bebê prematuro das infecções a que seu sistema imunológico seria exposto no ambiente de um hospital, a substância mantém os pulmões do recém-nascido submersos, um pré-requisito para seu desenvolvimento adequado. No entanto, a respiração do prematuro é artificial, intermediada por uma máquina do lado de fora da bolsa, que tira gás carbônico e adiciona oxigênio no sangue do cordeiro. O líquido entra e sai pelo cordão umbilical, impulsionado pelos próprios batimentos cardíacos do filhote, dispensando bombeamento. O método evita prejuízos ao delicado sistema circulatório do feto e simula a troca de gases com a mãe.

A pesquisa liderada por Emily Partridge envolveu seis fetos de ovelha, todos nascidos com algo entre 105 e 112 dias após o início da gestação (o que seria proporcional a apenas seis meses no caso humano). Após quatro semanas no interior do útero artificial, todos sobreviveram. O sucesso da pesquisa foi comemorado, especialmente, pelos planos futuros de aplicar a tecnologia em maternidades humanas, onde as estatísticas relacionadas à morte de recém-nascidos prematuros ainda são preocupantes.

 

SAIBA MAIS

Útero artificial

Os pesquisadores destacam que o útero artificial não alterou em nada a saúde e as chances de sobrevivência das cobaias. Isto significa que seu desenvolvimento dentro da máquina ocorreu da mesma maneira como se daria no útero da mãe. Assim, creem os autores do estudo, a tecnologia dá mostras de eficácia para, no futuro, aumentar as chances de sobrevivência de fetos em urgências médicas.  Atualmente, 75% das mortes de recém-nascidos no mundo são ocasionadas por partos prematuros. Bebês que vêm ao mundo com apenas 23 ou 24 semanas de gestação (nos EUA, essa é a situação de 6% das crianças) morrem em cerca de 40% dos casos. Entre 20% e 50% dos que sobrevivem passam o resto da vida com deficiências respiratórias, já que o corpo de uma criança de menos de um quilo não está pronto para lidar com a entubação e a ventilação artificial de uma UTI.

 

Fotos: 1. iStock/mvaligursky | 2.The Verge/Reprodução

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