HPE OneSphere
Navigation
Topo

Mulher em TI: como vencer num ambiente “de homens”

Por Vânia Mader*

Após vencer preconceitos e obstáculos, homens e mulheres passaram a compartilhar funções, tanto nas tarefas de casa quanto no mercado de trabalho. Em muitas áreas, a igualdade de gêneros já foi alcançada – o que não significa que inexistam setores ainda predominantemente masculinos ou femininos. O segmento de TI, por exemplo, é um que permanece altamente masculinizado, com pesquisas indicando que os homens ocupam mais de 90% das cadeiras de CIO. De qualquer forma, sendo eu mesma uma das lideranças femininas na HT Solutions, vejo um rápido aumento da presença das mulheres no setor ao longo desta última década.

Pela minha experiência, interpreto que esse crescimento deva-se fundamentalmente ao fato de nós, mulheres, estarmos cada vez mais focadas em buscar conhecimentos e habilidades para ocupar altos cargos, independentemente da histórica orientação da TI ao sexo masculino. Hoje, em alguns casos, é o homem que está em casa, cuidando do lar e dos filhos, e a mulher, ocupando a posição de “chefe de família”. Contra esse movimento, porém, pesa o fato de que uma parcela do público masculino ainda segue relutante ao que lhe parece uma inversão de papéis, mesmo quando as circunstâncias indicam esse tipo de composição. Também o salário deles é geralmente superior, mesmo nas mesmas funções, enfraquecendo o lado feminino da balança nos casos em que o arranjo familiar requer a presença de um dos cônjuges em casa.

A carreira em TI demanda muita disponibilidade e, em alguns casos, pode suscitar o adiamento ou até a renúncia da maternidade, por exemplo. De qualquer forma, isso vai depender do lugar em que se estiver trabalhando. Eu acredito que seja possível conciliar trabalho e vida pessoal, mesmo a mulher desejando ser mãe, desde que haja valorização e compromisso mútuo entre profissional e empresa. Mas, sim, em termos gerais, o ambiente de TI ainda é mais duro com o sexo feminino. Parece-me, inclusive, que da mulher se exige cuidado redobrado quanto a aspectos cotidianos, como seu jeito de se comunicar ou até de se vestir. Mas, independentemente de gênero, não existe uma forma única de triunfar numa negociação. O segredo é conhecer seu interlocutor. E, no caso das mulheres, o jogo de cintura para contornar objeções, sem bater de frente, muitas vezes é um grande aliado.

Para nos sentarmos à mesa de negociação, entretanto, muitas vezes é preciso driblar adversidades que não creio serem nem remotamente familiares a qualquer homem. Em eventos corporativos, por exemplo, não é raro que alguns deles ignorem que estamos lá para representar a empresa e que, de fato, somos conhecedoras do negócio. É preciso evolução urgente nessa mentalidade que atribui à mulher um papel decorativo. Tal cultura machista, aliás, nasce de conceitos arcaicos ainda vigentes na própria educação. Como já demonstrado em pesquisas, existe uma grande defasagem nos métodos adotados até hoje em casa e nas escolas, com crianças e adolescentes ainda crescendo envoltos pela ideia de que a mulher é “delicada demais” para atuar em áreas técnicas. Dos brinquedos nas prateleiras dos supermercados às imagens usadas em livros didáticos, é fácil perceber uma associação da figura masculina a atividades como matemática, engenharia e outras ciências, enquanto as meninas são, aparentemente, preparadas para cuidar da casa e dos filhos.

Muito já se avançou rumo à igualdade de gênero, mas, para que homens e mulheres desfrutem de condições igualitárias, ainda faltam pelo menos duas coisas: que as empresas valorizem mais o trabalho feminino; e que as próprias mulheres não abram mão de suas conquistas. Afinal, a época dos papéis predefinidos já passou.

*Vânia Mader é coordenadora de Compras na HT Solutions

 

Ilustração: ©iStock.com/MicrovOne

Categorias Opinion