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Para driblar embargo, lojas de aplicativos são físicas em Cuba

Em Cuba, diferentemente daquelas a que estamos acostumados, as lojas de aplicativos para celular são físicas. Off-line mesmo. Possuem portas, janelas, balcões e vendedores. Um bom exemplo é a “Los Doctores del Celular”. Nessa oficina de reparos, os técnicos também transferem apps para os smartphones dos clientes, usando cabos USB conectados a computadores. Isso porque o embargo dos Estados Unidos a Cuba dificulta a aquisição de aplicativos e outros serviços online. Nada, porém, que impeça os cubanos de manterem seus celulares razoavelmente atualizados. Nessas lojas de aplicativos físicas, um pacote com 70 programas sai por aproximadamente dez dólares.

Loja de aplicativos em Cuba

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As lojas de aplicativos físicas são parte da resposta cubana à privação digital imposta pelo embargo. A ilha tem cerca de 300 pontos de wi-fi em lugares públicos, que começaram a surgir há aproximadamente dois anos. As conexões ainda são lentas e caras, especialmente para os padrões cubanos. Normalmente, uma hora de acesso custa US$ 1.50. Por conta do embargo norte-americano, as lojas oficiais da Apple e do Google, por exemplo, bloqueiam downloads. Os cubanos até conseguem obter apps mais simples, gratuitos, mas não podem acessar aqueles vendidos digitalmente.

 

COMO FUNCIONAM AS LOJAS DE APLICATIVOS CUBANAS

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Usando cartões de crédito de familiares que vivem no exterior, os técnicos costumam comprar apps através de redes privadas (VPN). Depois, lojas de aplicativos como a “Los Doctores del Celular” vendem-nos adiante. Os smartphones também são geralmente obtidos com parentes no exterior, no mercado negro ou pelo Revolico, uma espécie de OLX.

Entre os apps mais populares em Cuba estão o Messenger e o WhatsApp – maneiras baratas de contatar familiares no estrangeiro. Os cubanos gostam de aplicativos que requerem pouca memória ou conectividade. O “Imo”, app de vídeo e mensagens que exige reduzida largura de banda, é um dos favoritos. Estudantes usam versões off-line da Wikipédia e aplicativos específicos de biologia, matemática e outras disciplinas. E os taxistas recorrem a aplicativos de navegação off-line, como o Maps.me.

 

APPS “MADE IN CUBA”

Os cubanos não são apenas consumidores de aplicativos, mas também desenvolvedores. O Isladentro, diretório de serviços oferecidos por pequenas empresas, é atualizado mensalmente. Depois, é distribuído em pendrives a uma centena de oficinas de telefones celulares – as tais lojas de aplicativos físicas. Em comparação aos folhetos físicos, as listas digitais do aplicativo, que incorporam fotos, avaliações e mapas, representam grande avanço.

As imagens do Isladentro são rudimentares: tanto os mapas quanto as fotos apresentam baixa resolução. Isso porque tudo precisa ser armazenado no próprio dispositivo – e não na nuvem, cujo acesso é restrito. Os apps made in Cuba são tão econômicos em bytes quanto os cubanos precisam ser com seu dinheiro. Os desenvolvedores do Isladentro, por exemplo, conseguiram reduzir o app de 890 para apenas 240 MB.

 

Fonte: The Economist
Imagens: 1. Deyvi Romero/Pexels | 2. Los Doctores del Celular/Reprodução | 3. Pixabay
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