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Impressora 3D de órgãos: o futuro dos transplantes?

Em suas primeiras encarnações, a impressão 3D assombrou o mundo com a possibilidade de materializar pequenos objetos projetados digitalmente. Empilhando camadas de polímero plástico, a tecnologia logo se mostrou ideal para prototipagem e outras soluções em escala reduzida. Com o tempo, o conceito ganhou versões capazes de trabalhar com os mais diferentes materiais, servindo a propósitos igualmente diversificados. Seja para personalizar a panqueca matinal ou construir uma casa, hoje existe uma impressora 3D para quase tudo. Inclusive fabricar partes do corpo, usando células humanas de verdade para cultivar cada tecido. 

impressora 3D

A tecnologia já é empregada na biofabricação de cartilagens e tecidos da pele para testes de novos medicamentos e cosméticos. Atualmente, a impressora 3D pode produzir uma orelha ou nariz, por exemplo, em cerca de meia hora. Para esculpir o órgão numa placa com células humanas, a máquina utiliza uma “tinta” que se estabiliza sob luz ultravioleta. E esse produto, feito à base de celulose e algina (substância extraída de algas do mar norueguês), já é vendido online. 

Pioneira na comercialização da biotinta, a companhia sueca Cellink fabrica também os equipamentos de impressão. A visão da companhia é de que, em 20 anos, órgãos como coração e pulmão também sejam impressos em 3D. Além de zerar as filas de transplantes, a iniciativa poderia usar células do próprio paciente como base, assegurando a compatibilidade.  

IMPRESSORA 3D MAIS ACESSÍVEL 

Cofundador da Cellink, Erik Gatenholm teve seu primeiro contato com uma impressora 3D dessa natureza em 2014. Na época, a biotinta usada por universidades e pela indústria farmacêutica era geralmente produzida pelos próprios pesquisadores. Foi quando o empreendedor teve a ideia de estruturar aquela cadeia de suprimento a partir de um composto “universal”. Oferecendo sua biotinta padrão (que se mistura a qualquer tipo de célula), Gatenholm desenvolveu também impressoras 3D mais acessíveis. Enquanto os preços do suprimento variam entre US$ 9 e US$ 299, as máquinas são comercializadas por até US$ 39 mil. Os principais clientes são instituições acadêmicas, incluindo a Universidade de Harvard, o MIT e a University College London. Mas o produto já desperta o interesse de companhias farmacêuticas, de olho numa alternativa aos controversos testes com animais. 

impressora 3D

Os desafios a serem superados pela impressora 3D de órgãos e tecidos humanos também não são poucos. Como toda tecnologia disruptiva na área da saúde, ela terá de se provar segura para obter aprovação das autoridades. Além disso, um dilema ético poderá emergir a partir de seu avanço: o “doping biológico”. Ou seja: o que acontecerá se órgãos biofabricados alcançarem um patamar de eficiência superior aos originais do corpo humano? Quais seriam as consequências de características como superaudição, superpotência muscular ou outras capacidades sobre-humanas sintetizadas em laboratório? 

 

Fotos: Divulgação/Cellink 
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