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Forex: Twitter acerta mais que a média no mercado de câmbio

Eis mais uma demonstração de força da inteligência coletiva e do infinito potencial da ciência de dados. Recomendações encontradas no Twitter podem ser mais lucrativas que boa parte das estratégias adotadas por investidores do mercado de câmbio. No Foreign Exchange Market (Forex), os ganhos decorrem da valorização ou desvalorização da moeda escolhida em determinado período. E, conforme um recente estudo conduzido nos EUA, as previsões capturadas na rede social ostentam respeitável índice de acerto. Mais especificamente, até quatro vezes superiores à média anualizada de uma estratégia padrão de longo prazo.

Para definir os movimentos de compra ou venda no Forex, os traders (operadores) precisam analisar informações e expectativas do mercado. Levando em conta numerosas variáveis, eles tentam identificar os melhores pontos possíveis de entrada e saída em cada negócio. O objetivo básico, embora existam estratégias mais complexas, é comprar um ativo e revendê-lo após valorização. E é na predição do comportamento de uma moeda em relação a outra (flutuação do câmbio) que o Twitter brilha.

 

RESULTADOS EXPRESSIVOS

Publicado em março, o estudo de Vahid Gholampour e Eric van Wincoop analisou previsões do euro em relação ao dólar. Durante quase 30 meses, foram identificados 27.667 tuítes com prognósticos sobre o comportamento da taxa de câmbio entre as moedas. Esses palpites foram então submetidos a um modelo matemático que calcula o retorno ajustado ao risco no capital. Como parâmetro de comparação, os acadêmicos utilizaram uma estratégia de longo prazo conhecida como carry trade. Basicamente, trata-se de vender uma moeda com baixa taxa de juros e comprar outra que esteja pagando uma taxa maior.

A descoberta foi que, se tivessem sido seguidos, os tuítes entregariam resultados até quatro vezes superiores à estratégia de controle. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores dividiram as previsões em dois grupos. O primeiro considerou apenas os tuítes dos usuários com mais de 500 seguidores (batizados de “agentes informados”). Nesse conjunto, as probabilidades tendem a ser melhores, pois muitos usuários atuam como corretores, analistas ou comentaristas financeiros. O outro grupo, por sua vez, abarcou o restante, composto pelas publicações de usuários com menos de 500 seguidores. Para comparar os resultados, utilizou-se a medida conhecida como sharpe ratio, que basicamente relaciona retorno e risco de um ativo. Quanto maior essa proporção, melhor.

Conforme a pesquisa, operar com base nos tuítes dos “agentes informados” equivaleria a um investimento com sharpe ratio de 1,68. Ou seja, quase quatro vezes a proporção de 0,44 verificada na estratégia de controle. Mas o mais surpreendente é que, mesmo seguindo o segundo grupo, o trader ainda encontraria um sharpe ratio de 0,77. Tais achados reforçam evidências de que movimentos do mercado repercutem nas mídias sociais antes de sua completa precificação nos ativos.

 

SOBRE O FOREX

Estima-se que o volume diário de negócios no Forex gire na casa dos US$ 4 trilhões em todo o mundo. Atraídos pela grande volatilidade do câmbio, que teoricamente favorece negócios rápidos, os especuladores respondem pela maior fatia desse montante. Mesmo sem regulamentação no País, o mercado de câmbio pode ser legalmente acessado por brasileiros através de corretoras estrangeiras.

 

Foto: iStock/welcomia
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