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Empresa suíça comercializa gás carbônico tirado da atmosfera

Especialistas são taxativos: reduzir as emissões de gás carbônico não será suficiente para salvar o planeta. Por isso, capturar o CO₂ já lançado à atmosfera e dar-lhe adequado destino é o novo desafio da ciência. Seguindo essa premissa, algumas empresas já estão encontrando maneiras de viabilizar o ousado plano – caso da suíça Climeworks.

Os efeitos do acúmulo de gás carbônico na atmosfera da Terra começaram a ser percebidos ainda no século XIX. Desde então, foram entendidos como uma consequência da Era Industrial. No século XX, ficou evidente que a ação humana estava influenciando a aceleração do processo de aquecimento global. O fenômeno é acompanhado de forma constante por especialistas de diversas áreas.

Anualmente, a ONG Observatório do Clima atualiza seu Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG). Conforme dados recentes, em um ano o Brasil teve alta de 8,9% nas emissões. Em 2016, foram 2,278 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico (CO₂) contra 2,091 bilhões registradas em 2015. A soma representa 3,4% do total de gases produzidos no mundo. Os números colocam o Brasil como sétimo País que mais polui, mesmo em meio à pior recessão econômica da história. E o desmatamento é apontado como a principal causa desta elevação de poluentes.

Enquanto isso, cientistas como Klaus Lackner tentam demonstrar que é preciso inverter este processo imediatamente. E o caminho, prega o especialista, passa pela captura de CO₂ da atmosfera, em paralelo à redução das emissões. Segundo Lackner, só o emprego da tecnologia pode salvar o planeta do colapso. Especialmente porque a solução idealizada pelos pesquisadores é muito mais eficiente que plantar árvores, por exemplo. Nesse contexto, muitas startups têm se dedicado a criar mecanismos capazes de fazer o trabalho de maneira economicamente viável. É exatamente o caso da Climeworks.

 

MÁQUINA CAPTURA ATÉ 900 TONELADAS DE GÁS CARBÔNICO POR ANO

O projeto da Climeworks, em andamento na Suíça, objetiva que o gás carbônico colhido seja reutilizado – e não simplesmente armazenado. Assim, além de desempenhar papel-chave no combate ao aquecimento global, a iniciativa pode ser sustentável também em termos financeiros.

A empresa suíça empilhou 18 “ventiladores” do tamanho de uma máquina de lavar no teto de um centro de reciclagem em Hinwil. Os aparelhos sugam o ar de seu entorno, e o gás carbônico é absorvido por filtros cobertos com produtos químicos. Por sua vez, o calor gerado pela oficina de reciclagem satura e aquece os filtros. Quando a temperatura chega a 100°C, os filtros são extraídos. Com esse processo, a empresa calcula que possa capturar até 900 toneladas de gás carbônico puro por ano.

 

MÚLTIPLAS APLICAÇÕES

O gás carbônico absorvido pela máquina da Climeworks é vendido a produtores de verduras e legumes. Os compradores, então, utilizam a substância de maneira controlada, em estufas, para estimular o crescimento de plantas. Com isso, os desenvolvedores do projeto atuam não apenas com uma tecnologia inteligente, mas com um modelo rentável de negócio. E o gás carbônico oferece ainda várias outras possibilidades – de alimento para peixes à produção de cimento. De bancos de carros a cremes dentais.

Nos EUA, o CO₂ vem sendo empregado também na extração de petróleo, mas essa parceria pode acabar em breve. Isso porque os cientistas planejam utilizar o próprio CO₂ capturado do ar como fonte alternativa de energia. Há alguns anos, a montadora Audi realizou testes para desenvolver o “e-diesel”, combustível feito de CO₂ e água. Num “plot twist” daqueles, o hoje coadjuvante do petróleo poderá ajudar a torná-lo obsoleto…

 

Imagem: Climeworks/Divulgação
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