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Dinheiro físico em extinção: por que o tema causa controvérsia

Com a tecnologia avançando em todas as frentes, o mundo caminha na direção de mudanças profundas também em relação ao dinheiro. Países como a China já rumam para a completa substituição de suas cédulas e moedas pelo dinheiro digital. Será o fim dos pagamentos em espécie. Não se trata apenas dos cartões de crédito e débito, mas de uma verdadeira transformação na forma de se entender o dinheiro. 

O país que inventou o papel-moeda há 15 séculos insinua-se como o primeiro a aposentá-lo. Na China, seis a cada dez compras já são pagas digitalmente. Em alguns estabelecimentos, basta apontar a câmera do smartphone para um QR Code, e o pagamento é realizado. Quando o consumidor prefere fazer o pagamento em espécie, muitos comerciantes torcem o nariz, pois precisam parar tudo para contar cédulas e moedas. 

 

GUERRA AO DINHEIRO: MUITO ALÉM DO CARTÃO 

Entre os chineses, pagamentos eletrônicos já são a primeira escolha nos mais diversos locais e ocasiões. Jovens recebem mesada dos pais através de aplicativos. É possível alugar bicicletas sem colocar a mão no bolso. Até mesmo a gorjeta ao garçom pode ser paga por meio de um QR Code em seu crachá. 

No Reino Unido, 55% das compras são realizadas de forma digital. Mas, na China, há uma mudança do físico para o digital que não passa pelos cartões de crédito ou débito. Somente em 2016, foram 5,5 trilhões de dólares movimentados através de smartphones. Isso também se deve à pouca popularidade do cartão de crédito e a outros obstáculos referentes à sua regulação. Apesar da inegável praticidade do dinheiro virtual, o tema está longe de ser unanimidade entre os maiores especialistas em finanças do mundo. 

 

O PROBLEMA DO DINHEIRO INVISÍVEL 

O consultor norte-americano Jim Rickards, com serviços prestados à CIA e best-sellers de finanças no currículo, teme a virtualização monetária. Em recente relatório enviado a assinantes, o autor prega que a guerra ao dinheiro é extremamente lesiva ao cidadão. 

O cerco ao dinheiro físico, argumenta Rickards, vem sendo acelerado em muitos países por conta de interesses exclusivos dos governos. Os benefícios para estes seriam imensos, com poderes até mesmo de confisco integral em caso de uma crise financeira. Os cidadãos teriam revogados, assim, os direitos sobre seu próprio dinheiro. Não haveria mais como manter uma reserva de liquidez fora do alcance dos governos. Em períodos de exceção, sustenta o especialista, não haveria para onde correr. 

Jim Rickards observa que, mesmo em tempos de calmaria, os governos continuariam se beneficiando do dinheiro invisível. Num sistema digital, afinal de contas, a visibilidade das atividades financeiras da população seria absoluta. Com o dinheiro em espécie, em contrapartida, ainda existe certa privacidade. Segundo o consultor, algumas empresas também acabaram entrando na guerra. Ele cita as companhias de cartão, que já oferecem até incentivos monetários para comerciantes banirem o pagamento em espécie. 

 

Foto: iStock/Luciano_Marques 
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