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Carro sem chofer: como estão os testes do Uber

Na penúltima semana de março, após acidente com um de seus carros nos EUA, o Uber decidiu suspender a operação de toda a frota autônoma. Na ocasião, um SUV da companhia colidiu com outro veículo em Tempe, no estado do Arizona, e acabou tombando na pista. Um terceiro automóvel também sofreu danos. Dois engenheiros do Uber ocupavam os bancos da frente do SUV, mas não havia passageiros no banco de trás. Ninguém se feriu com gravidade.

A história provocou burburinho na mídia internacional, sobretudo com a decisão anunciada no dia seguinte pela companhia, suspendendo seu programa de veículos autônomos até segunda ordem. Em apenas três dias, porém, a modalidade voltou a ser oferecida na plataforma, após as investigações comprovarem que a inteligência artificial não teve culpa na colisão. Conforme a polícia local, o motorista do outro carro envolvido é que não cedeu a preferência ao SUV autônomo, abalroando-o.

Os carros “sem chofer” do Uber (na verdade, os testes são necessariamente realizados com a presença de motoristas auxiliares, que podem assumir o controle a qualquer momento) estão disponíveis em caráter experimental nos Estados Unidos desde setembro de 2016 – a primeira cidade atendida foi Pittsburgh, na Pensilvânia, com posterior cobertura em São Francisco (Califórnia) e outras localidades. A frota “self driving” é enxuta, e a seleção de clientes atende a critérios predefinidos. Além disso, os veículos autônomos circulam apenas em áreas amplamente mapeadas pelo sistema de navegação.

 

 

CONTROVÉRSIA

Em recente reportagem, o site especializado em tecnologia Recode afirmou que funcionários e ex-funcionários apontam uma “miniguerra civil” na divisão de veículos autônomos do Uber – principalmente entre quem migrou para a Otto (startup voltada a caminhões autodirigíveis adquirida pela companhia em agosto do ano passado) e aqueles que se juntaram ao Advanced Technology Group (ATG), como é chamada a unidade de carros autônomos da empresa. Os dois lados estariam travando uma briga por prioridade dentro do negócio, e pelo menos vinte engenheiros do Uber já teriam deixado o time desde novembro.

Segundo as fontes consultadas pelo Recode, muitos desses problemas podem ser atribuídos à compra da Otto. Isto porque, como parte da negociação, o CEO do Uber, Travis Kalanick, cedeu ao então CEO da startup, Anthony Levandowski, poderes sobre toda a divisão de autônomos da companhia. O Uber nega dificuldades com retenção de talentos na área de self driving, citando que a ATG tem registrado menor evasão do que a média geral da empresa.

Para apimentar a situação de sua unidade de carros autônomos, a companhia enfrenta uma ação judicial movida pela Alphabet (leia-se Google) e que tem Levandowski como peça central. A parte autora aciona o ex-CEO da Otto por suposto roubo de propriedade intelectual: antes de fundar sua startup, o executivo trabalhou no projeto de carro autônomo do Google e teria, segundo a acusação, copiado uma tecnologia de sensores proprietária da companhia. O processo afirma ainda que Levandowski manteve “longo relacionamento” com o Uber antes de deixar a Alphabet – fato que poderia ferir de morte os esforços da ATG caso comprovado no tribunal.

 

Carro autônomo do Uber em São Francisco/Califórnia

 

Fotos: Divulgação/Uber
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