HPE Simplivity
Navigation
Topo

“Fracasso é uma questão de percepção”, diz CEO da Endeavor

Listada pela revista Time entre as “100 personalidades inovadoras para o século 21”, Linda Rottenberg é referência mundial em empreendedorismo e liderança. Confira a entrevista exclusiva com a CEO da Endeavor e autora do livro “De empreendedor e louco todo mundo tem um pouco”. Aqui, a especialista compartilha sua visão vanguardista sobre o mundo dos negócios – inspiração pura para quem almeja o sucesso profissional.

 

Conte-nos como nasceu a Endeavor. Qual era a ideia por trás do empreendimento?

A ideia da Endeavor nasceu num lugar inusitado – no banco traseiro de um táxi em Buenos Aires. Eu descobri que o motorista era PhD em Engenharia, mas não conseguia emprego na área. Quando sugeri que se tornasse um empreendedor, ele me olhou, estupefato, e perguntou: “Um o quê?”. Ele nunca havia escutado o termo; era-lhe portanto alienígena o conceito de alguém lançar e tocar com sucesso um novo empreendimento, fora do alcance dos capangas do governo e dos magnatas dos negócios. Resolvi pesquisar e acabei descobrindo que havia uma enorme lacuna de investimento para empreendedores que não se qualificavam nem para microfinanciamento, nem financiamento de capital privado.

Contatei um velho amigo, Peter Kellner, e – na mesa da cozinha dos meus  pais – começamos a esboçar nossas ideias para uma organização que ajudasse empreendedores privados a começar e crescer em mercados emergentes. Menos de vinte anos depois, aquela proposta vaga é hoje uma rede global de 1.200 empreendedores, liderando 850 empresas que já criaram meio milhão de empregos e geraram US$ 8 bilhões em faturamento anual.

 

Quais foram os maiores desafios pelo caminho?

Assim como sua maior fraqueza é, às vezes, sua maior virtude, o desafio mais duro que enfrentei para criar a organização foi também meu grande triunfo: ganhar o apelido de “la chica loca”. Quando comecei a apresentar a ideia da Endeavor, não encontrei nada senão desencorajamento – de Wall Street ao Vale do Silício e até naquela mesa de cozinha, onde meus pais tentaram me direcionar para um caminho profissional mais convencional. Foi então que eu aprendi a lição fundamental de que, se você pretende iniciar algo novo, ser incompreendido é apenas o esperado.

 

A Endeavor estabelece parcerias com grandes investidores para impulsionar projetos. O que esses investidores buscam, em termos de ideias de negócios, e como eles avaliam os candidatos ao investimento-anjo?

O Endeavor Catalyst opera como um fundo de coinvestimento passivo para rodadas de negócios organizadas por investidores profissionais. Até o momento, nós já colocamos dinheiro em mais de 30 empresas, junto a grandes investidores, por meio dessa iniciativa. Os investidores buscam uma combinação de três fatores: ótimas ideias, ótimas pessoas e ótima execução. Quando esses três elementos estão presentes, eles enxergam oportunidade.

 

Você aborda o assunto “fracasso” de uma maneira bem interessante…

Quando se fala em abrir um novo negócio, a reação inicial dos outros geralmente é enumerar os altos índices de fracasso das startups: 20% não sobrevivem ao primeiro ano e metade não passa de cinco anos. Porém, o fechamento de negócios nem sempre significa “fracasso”! Essas estatísticas escondem quantas lições foram aprendidas e quantos empreendimentos secundários foram formados como resultado de contratempos iniciais. Por exemplo, dois dos empreendedores mais impressionantes da Endeavor Brasil, Mario Chady e Eduardo Ourivio, tinham inicialmente um restaurante fino convencional, que fracassou, mas isso deu a eles experiência no setor e a ideia de fundar a Spoleto, hoje uma rede superpopular de comida rápida com um crescimento impressionante de empregos, de 3.200%, nos últimos dez anos! Wilson Poit também começou dois negócios que fracassaram antes de lançar a Poit Energia. O que esses exemplos ilustram é que o fracasso, no fim das contas, é uma questão de percepção.

 

Quais foram as melhores lições que você aprendeu com a Endeavor?

Você não precisa vestir moletom, ter um endereço no Vale do Silício ou conseguir os telefones das pessoas mais influentes para ter uma ideia multimilionária! As maiores barreiras para seguir adiante com sua (boa) ideia maluca não são financeiras, estruturais, culturais ou políticas: elas são psicológicas. Nossos empreendedores que prosperam nos climas econômicos mais inóspitos – da Grécia endividada a uma Detroit em recessão – têm provado isso repetidamente.

 

Confira a íntegra da entrevista de Linda Rottenberg na edição impressa da IT Management #09.

 

Foto: Divulgação/Endeavor
Categorias Ping-Pong