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Big Data no campo: Danilo Leão e a “internet das vacas”

Internet das vacas? Ao criar um aplicativo que torna mais inteligente a gestão de rebanhos, Danilo Leão levou o Big Data para o meio rural – e acabou eleito um dos 100 empresários mais criativos de 2015 pela publicação americana Fast Company. Na lista, o brasileiro dividiu espaço com gente como Dao Nguyen (editor do Buzzfeed), Jens Bergensten (diretor criativo do Minecraft) e Greg Hoffman (vice-presidente da Nike à frente da área de Brand Experience), entre outros pesos-pesados do mercado. Nesta entrevista exclusiva à IT Management, o CEO da BovControl compartilha suas impressões sobre inovação, Big Data e empreendedorismo no Brasil. Deleite-se!

 

Fale-nos sobre o BovControl. Como ele funciona e que benefícios oferece aos pecuaristas e a todo o restante dessa cadeia?

O BovControl é uma nova forma de se pensar a atividade pecuária, com a ajuda de “cérebros” poderosos (robôs e bases de dados), que armazenam décadas de pesquisa e que são disponibilizadas ao pecuarista no momento certo – quando ele precisa – para que o peão ou o dono da fazenda não precisem estudar anos para acessar uma informação útil e relevante para suas decisões operacionais e gerenciais do dia a dia. Funciona com usabilidade equivalente ao Facebook, com a capacidade de aprendizado acelerada – cada dia mais inteligente e simples de interagir com os usuários. Pode funcionar apenas com um smartphone, mas pode ganhar maior eficiência quando sincronizado a balanças, leitores e sensores.

Como está sendo a adesão ao BovControl no Brasil e fora dele? Em quantos países o sistema já é utilizado?

A adesão tem sido exponencial. Lemos essa palavra, mas não a entendemos de verdade. Nosso pensamento foi formatado, pela nossa educação e cultura, a raciocinar de forma linear. Com 30 passos lineares andamos 30 metros; com 30 passos exponenciais daríamos 26 voltas no planeta. Estranho, ok… mas é essa a resposta correta da adoção do BovControl: exponencial. Uns 60% dos usuários estão no Brasil, 12% nos Estados Unidos, depois há destaque para a Colômbia, México e África do Sul, entre outros.

Danilo Leão e a internet das vacas

Vocês cunharam o termo “Internet of Cows” (Internet das Vacas). Explique-nos esse conceito.

Tudo está conectado! Isso não é mais ficção científica. Troco ideias, fotos e orações com parentes espalhados pelo mundo, piadas com amigos e artigos com colegas de trabalho. Compro um objeto qualquer e acompanho seu rastreamento desde sua fábrica até a minha casa. Por isso reforço: tudo está conectado, menos as vacas! E por quê, se elas têm sido o principal meio de inclusão de famílias famintas na economia? Inicialmente uma economia de subsistência, depois com superávit e, consequentemente, em graus mais e mais importantes de dignidade e bem-estar. As “vacas” precisam estar conectadas. A atividade pecuária é o vetor mais importante de liquidação da fome do mundo.

Claro que também estamos fazendo referência a uma das principais tendências da atualidade, chamada de “internet das coisas” – à qual 100 bilhões de “coisas” serão conectadas nos próximos 15 anos. É uma revolução mais de 10 vezes maior do que a internet que conhecemos – e que nem imaginávamos que seria tão impactante em nossas vidas.

No momento em que os benefícios do Big Data alcançam até mesmo o meio rural, fica evidente o imenso potencial dessa tecnologia. De maneira geral, que evoluções você acredita que presenciaremos no mundo ao longo dos próximos anos em virtude da ciência de dados?

É bem simples de perceber isso com o exemplo do Waze, que nos diz, de forma bem simples: vire à direita, vire à esquerda… e atingimos o destino. O que está por trás disso é maravilhoso: cruzamento de uma massa crítica de dados incrível, de muitas pessoas que colaboram com o “aprendizado” do sistema. Da mesma forma, o BovControl – que já é a maior plataforma de pecuária do mundo em número de fazendas ativas – cruza volumes de dados capazes de gerar ao produtor decisões melhores do que e quando fazer. Por exemplo, o sistema já conduz o produtor na coleta dos dados necessários para que possa saber rapidamente – e aprimorar o entendimento – da sua produtividade. Com base nessas informações claras, precisas, ele recebe instruções do que fazer para melhorar suas decisões diárias e, em poucos meses, obter disciplinas capazes de mudar o status da atividade.

Quais as suas impressões a respeito do desenvolvimento da internet das coisas e do Big Data no Brasil?

A IoT (Internet of Things) precisa de mais experiências concretas, milhares de cases de fracasso para que surjam mais cases de sucesso. Falta mais experimentação. Muito se fala e se discute sobre o domínio dos padrões desses ambientes – assim como se discute uma nova lei em Brasília. Não acredito nesse rumo da IoT. Penso que “o padrão” será definido por quem estiver na frente, com algo de concreto que conquiste usuários.

O Big Data ganhou significados diversificados. Já não sei mais do que uma pessoa está falando quando expressa esse termo. Decaiu. Penso que o “big data” sem data perde o “big” e evapora. Também existe muito sonho e pouca coisa concreta por aí. Mas quando se considera real volume de dados, logo penso em poder – ou capacidade de mudança – de uma realidade. É um tema fascinante.

Pela criação do BovControl, você foi apontado pela Fast Company como um dos 100 empresários mais criativos do mundo em 2015. Que dicas você dá para quem deseja se tornar mais criativo e, consequentemente, mais inovador?

Acredito que a criatividade seja a simples negação da inércia. Se somos engolidos pela mecanicidade do nosso cotidiano e nos deixamos levar, não podemos ser criativos. Assim, tudo que vai no sentido contrário da mecanicidade pode ser “combustível” para a criatividade – desde escovar os dentes com a mão invertida quanto acessar o escritório por um caminho alternativo – exercícios que potencializam a presença e, consequentemente, a capacidade de ser criativo.

A consciência que vai brotando dessa observação mais atenta produz a chamada “força” ou capacidade de fazer. Parece um tema maluco, mas há sim metodologia para calibrar o potencial criativo. Estou sempre em busca desses “hacks” para ter o prazer de ser, no lugar de simplesmente “existir” e “deixar a vida me levar”.

internet das vacas

Confira a íntegra da entrevista de Danilo Leão na edição impressa da IT Management #08.

 

Fotos: Divulgação/Danilo Leão
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