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A ascensão do Data Capital

Por Martha Gabriel*

A primeira década do século XXI foi marcada pela disseminação das tecnologias digitais, estruturando a explosão de conexões, interatividades e sistemas que alavancaram a Revolução Social – a partir de então, temos experimentado um processo de horizontalização crescente, responsável por disrupções profundas nos modelos sociais e de negócios. A consequência mais imediata dessas transformações é a mudança do polo de poder na economia e na sociedade: das instituições para o indivíduo. Isso inaugura a Economia Social, baseada em money follows social that follows digital.

Essa transformação profunda nos traz ao cenário atual em que a digitalização das empresas se torna fundamental para sua sobrevivência e sucesso. No entanto, ao mesmo tempo em que essa estrutura social digital se forma, outra dimensão importante emerge: a dos dados. Conforme a tecnologia avançava para permitir conexões, interatividade e mobilidade, ela também possibilitava cada vez mais a produção e coleta de dados de forma distribuída e não estruturada – posts, sensores, câmeras, smartphones, etc. –, dando origem ao que chamamos hoje de Big Data. Essa revolução de dados é mais silenciosa, mas tão poderosa quanto, ou mais, que a revolução social que experimentamos.

Toda atividade usa informação e produz informação. Além do potencial de transformar tudo em smart – objects, cities, cars, homes, etc. –, a utilização adequada dessas informações consegue gerar valor de forma inédita no mercado, provocando novas mudanças nos eixos de poder entre empresas. Todo novo negócio que consegue trazer maior valor de dados gera disrupção na sua área – esse foi o caso da Amazon, Netfix, Uber e Alibaba, por exemplo, nas indústrias de livros, filmes, transportes e comércio, respectivamente.

No entanto, não conseguimos saber quão valiosos os dados são até que os usemos, por isso precisamos usá-los constantemente para descobrir seu valor. Data capital é a informação que pode ser capturada para gerar valor, bons negócios. A habilidade essencial em data capital é ver a informação que não está lá; assim, data capital torna-se uma vantagem competitiva e também uma força disruptiva.

Três formas principais podem ser usadas para alavancar o data capital:

Captura de dados de atividades – digitalização e quantificação de atividades (transações, manufatura);

Uso de dados para criar dados – coleta de dados antecipatórios para identificar e prevenir eventos indesejados (ex.: sistema de saúde que coleta dados para identificar e prevenir doenças);

Uso de plataformas de dados – a plataforma é o modo como você coloniza a sua atividade, e o seu uso tende a vencer (ex.: Amazon).

Dessa forma, cada vez mais a economia passa a se basear em dados, alterando a equação para: money follows data, that follows social, that follows digital, criando o data divide: empresas que não conseguem dominar o data capital tenderão a perder cada vez mais espaço no mercado.

 

*Martha Gabriel é CEO da Martha Gabriel Consulting & Education, escritora, consultora e palestrante nas áreas de marketing digital, inovação e educação

 

Ilustração: ©iStock.com/TCmake_photo
Categorias Opinion